Com a chegada dos anos 90, as rodas diminuíram, as roupas ficaram gigantes e as manobras cada vez mais lentas. O tal do " estilo " foi deixado um pouco de lado. O importante era fazer as manobras mais complicadas que a mente humana pudesse imaginar. Eis que o mundo - pelo menos skatisticamente falando - começa a ficar globalizado.O princípio da década de 90 gera uma mudança radical e a principal bíblia e mídia do skate não é nem a Thrasher e muito menos Transworld.
Nasce o formato de vídeo magazine com o nome de 411. Por incrível que pareça, mesmo sem internet, as fitas VHS dos 411 acabavam chegando com certa rapidez ao Brasil e era possível estar por dentro do que acontecia na cena americana e, o melhor, ver as imagens em movimento.
Foi logo na segunda edição do 411, em um longínquo 1993, que apareceu um inglês que, sem imaginar, iria ser famoso mundialmente. A parte pode não chamar muito a atenção: foi toda gravada em uma pista contruída em Northampton, a hoje mítica Radlands. Tom Penny deixava de ser só mais um skatista inglês com muito talento para ser uma referência mundial no tal adjetivo que tinha sido deixado de lado no começo da década.
Mesmo depois de quase 20 anos, quando se fala em Tom Penny, o motivo da conversa sempre é estilo. Além da leveza na hora de fazer suas manobras, Penny é um dos poucos skatistas que se manteve fiel a sua maneira de vestir, sempre com roupas largas, mas sem cair no estereótipo de gangueiro. É um estilo próprio. O estilo Tom Penny, que continua inspirando skaters de todo o mundo e define muito bem o termo tão usado no Brasil, que é o " largado " .Não é de se estranhar que, como todo skatista mítico, Tom Penny chame a atenção onde quer que vá. Ter o prazer de vê-lo em ação é dar-se as manobras mais difíceis, e sim como a pessoa consegue imprimir seu estilo em cada coisa que faz. É fácil escutar alguém aplaudindo suas manobras e maneira como ele as conclui.
Ainda bem que, em plena revolução técnica do skate, houveram pessoas que pensavam que estilo importava sim, mesmo que fizessem isso de maneira natural, sem se dar conta. Graças a skatistas como Tom Penny (e tantos outros, que podem ser citador em forma de lista pessoal, como outro inglês, Carl Shipman, além de Gino lannucci, Márcio Tarobinha, Carlos de Andrade, Robson Reco e muitos outros...) o estilo dos anos 90 foi definido. Afinal, vendo esses caras andar, quem lembrava que as rodas eram minúsculas e geralmente as manobras realizadas a passo de tartaruga?
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